colunista

Joel Feldman

É empresário, secretário de Planejamento, Meio Ambiente e Trabalho e presidente da Associação Baiana de Supermercados. Escreve às segundas.

O trabalho intermitente é aquele em que é possível contratar por hora, em jornada móvel. Sua regulamentação beneficiará tanto os consumidores, que passarão a ter um melhor e mais regular atendimento, quanto a sociedade em geral, que elevará seus níveis educacionais. Isso porque essa modalidade de contratação, comum nos Estados Unidos, Europa e outros países da América do Sul, permite conciliar o tempo de trabalho e as horas de estudos, com destacadas vantagens, sobretudo, para os jovens e semiaposentados (que preferem trabalhar em meio período, como complemento de renda e para se manter em uma atividade regular).

O engessamento da legislação trabalhista brasileira está na contramão da história. O contrato de trabalho intermitente contempla indistintamente todos os direitos trabalhistas, como férias, 13º salário, FGTS e cobertura previdenciária, ainda assim, vemos sindicatos, políticos e pessoas desinformadas que contestam a necessidade de mudança urgente na nossa legislação trabalhista. Somos um país sem engajamento político por natureza, nossa juventude não vai mais as ruas brigar e cobrar as mudanças necessárias, as decisões estão sempre no tabuleiro dos políticos que como sabemos possuem interesses diversos. Vejo hoje um índice de desemprego brutal, superamos 12 milhões de desempregados, ao incluirmos o que o IBGE chama de subutilização da força de trabalho, o total chega a quase 23 milhões de pessoas. A maior taxa de desemprego está no Nordeste, onde alcançamos os 14,1%, dentro desta região a Bahia está com aproximadamente 16% de desempregados, de maneira a ampliar ainda mais a desigualdade em nosso país. 

Então, o convite que faço aos nossos leitores do Portal Mais Região é para que reflitam sobre quais medidas são necessárias para tirar a nossa sociedade deste caos que flagela famílias. Nada pode ser mais deprimente para uma sociedade do que o desemprego.  De que adianta termos uma legislação que assegura benefícios, protege salários, mas não cria possibilidades de empregos? Nossos desempregados, não serão contemplados por nenhum benefício da nossa legislação. Para que possam entender, citarei o exemplo de um Buffet que atende demandas de festas aos fins de semana, e eventualmente precisa de uma cozinheira para preparação dos salgados por apenas 4 horas diárias, hoje este Buffet está impedido de fazer esta contração, então uma senhora aposentada que gostaria de ocupar esta função por uma jornada reduzida, também não encontrará esta oportunidade. Este é um exemplo, mas em todas as áreas existem oportunidades, a verdade é que o emprego no Brasil custa caro aos empregadores e estes não possuem nenhum estímulo para a geração de emprego e renda. 

Encerro este texto com a célebre estrofe da música de Gonzaguinha: Um homem também chora.

“E sem o seu trabalho
O homem não tem honra
E sem a sua honra
Se morre, se mata

Não dá pra ser feliz
Não dá pra ser feliz”

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