colunista

Lorena Dias

É jornalista e blogueira. É repórter da TV Aratu e escreve para o Mais Região às quartas, a cada duas semanas.
Durante o tempo em que morei na casa da minha avó, quando arranjei um estágio na capital, a irmã mais velha do meu pai me adotou como filha. Vez ou outra ela me aparecia com alguma coisa que havia percebido que eu estava precisando, como quando eu comecei a sentir dores no pulso e ela apareceu com uma tala para mobilizar o punho. Esse sempre foi o jeito dela de dizer que amava, cuidando de quem ela se importa.

Na época da faculdade, minha mãe levantava junto comigo antes do sol nascer, para poder me levar no ponto de ônibus. Às vezes ela tinha ido dormir de madrugada por estar corrigindo provas, mas nunca a ouvi reclamar do sacrifício. Hoje, vejo o seu amor em cada vasilha de comida que ela faz no domingo para que eu e meu irmão tenhamos por perto a sua comida caseira durante a semana, enquanto estamos em cidades diferentes.

Meu irmão me ama em silêncio. Na paciência que ele tem quando estou irritada, com os hormônios desregulados e chorando por besteira. E nos abraços sem palavras nos dias em que estou triste demais até mesmo para reclamar por ele ter deixado o tênis no meio da sala. 

Do interior, minha avó reza todos os dias pela minha saúde e meu sucesso. Consigo até visualiza-la debulhando seu terço em frente à imagem da Sagrada Família pedindo à Deus por mim antes de dormir. Seu amor chega a mim em forma de oração.

Na maior parte do tempo, o amor não vem de discursos emocionados, grandes gestos e palavras. Ele está nos detalhes perdidos no cotidiano que verdadeiramente reconfortam aquele que é amado. Isso não quer dizer que os buquês de rosa e as declarações não sejam valiosas, mas um olhar, um gesto cotidiano, por menores que sejam e até mesmo difíceis de perceber, valem muito mais.

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