colunista

Maurício Bacelar

É engenheiro, ocupou cargos importantes nas prefeituras de Dias d'Ávila e Camaçari. Foi Diretor Geral do Detran-BA. Escreve às sextas, a cada duas semanas.

A esmagadora maioria da população, ainda, não se deu conta da importância que o trânsito tem em suas vidas. Além de possibilitar a mobilidade, o trânsito está dizimando as pessoas, o termo é este, não tem outro.

O trânsito mata e é perverso. Atinge aos mais jovens, a base da pirâmide populacional. Segundo o Ministério da Saúde, na faixa etária de 4 a 14 anos o trânsito é a maior causa de morte acidental. Já na faixa de 15 a 29 anos é o principal fator de morte. A taxa de mortalidade no trânsito do Brasil é de 22 mortes a cada 100.000 habitantes. Nenhuma guerra, em andamento no mundo hoje, mata tanto quanto o trânsito brasileiro.

O tema trânsito não está na agenda das pessoas, que por sua vez não exigem, do governo, medidas saneadoras, nem se mobilizam para atenuar a questão. As mínimas medidas tomadas pelo poder público para proteger a vida no trânsito, muitas vezes são criticadas pela população. Uma pequena retenção na via, causada por uma blitz, é motivo de reclamação. Se formos multados por desrespeitar a legislação, novamente reclamamos. A blitz tem uma importância muito grande, retira de circulação condutores e veículos que não estejam devidamente habilitados para circular e que estão colocando em risco a vida das pessoas. Já a multa, pune aqueles que teimam em não respeitar a legislação, pondo em risco suas vidas e de terceiros. Aqui não estam os defendendo a chamada “indústria de multas,” usada por alguns órgãos de trânsito como fonte de receita, mas a aplicação da multa como último recurso no processo de gerenciamento do trânsito.

Os nossos legisladores, também, com raras exceções, sob o argumento de proteger “direitos,” legislam para beneficiar infratores ou apresentam projetos de lei esdrúxulos. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é leniente com o infrator. Cassar ou suspender o direito de conduzir no Brasil é tarefa quase impossível, graças ao número exagerado de recursos que CTB faculta ao infrator.

O poder público, por sua vez, não prioriza o tema, trata como acessório, finge não ver. Não enxerga o mal que o trânsito causa às pessoas e o prejuízo aos cofres públicos. A desvinculação de receitas da união (DRU) foi um duro golpe, possibilitou o desvio dos recursos gerados no trânsito, as ações educativas são tímidas e ineficazes, os investimentos na área de infraestrutura viária são mínimos e a fiscalização inoperante.

O trânsito tem que tornar-se prioridade, encabeçar a agenda da sociedade. É necessário que todos, poder público, iniciativa privada, órgãos da sociedade civil organizada e a população encampem o tema e ajam em conjunto. Cabe ao poder público educar, investir na engenharia e fiscalizar. A Câmara dos Deputados está revisando o CTB, tem chance de torná-lo cidadão, protetor da vida e não dos infratores. A iniciativa privada pode auxiliar na prevenção de acidentes com estudos na área de engenharia e desenvolvendo projetos. Os órgãos da sociedade civil organizada podem auxiliar com informações imparciais, propor políticas públicas, metas e cobrar resultados ao poder público. Nós cidadãos, precisamos nos conscientizar que a segurança no trânsito & eacute; uma atitude individual, sejamos condutores, passageiros, pedestres ou ciclistas.

Somente a ação em conjunto e concatenada do poder público, iniciativa privada, órgãos da sociedade civil organizada e da população podem transformar esta situação, levando o trânsito a cumprir o seu papel, que é fazer os deslocamentos no menor espaço de tempo possível com segurança e assim, elevar a qualidade de vida das pessoas!

Comentários

AVISO - Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie através do nosso whatsapp 71 99663.6360 ou do email [email protected] Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal. TERMOS DE USO

mais notícias » Leia também

Publicidade