colunista

Lorena Dias

É jornalista e blogueira. É repórter da TV Aratu e escreve para o Mais Região às quartas, a cada duas semanas.
"A solução pra essa gorda é perder peso para ficar com o corpo do verão", disse uma mulher enquanto eu descia de um ônibus com o microfone da TV nas mãos. Infelizmente, não consegui captar em áudio aquele conselho absurdo, nem o cinegrafista conseguiu filmar o rosto da mulher.

Na calçada, encontrei com a minha entrevistada, que há um ano havia ficado presa na catraca de um ônibus por conta do seu sobrepeso e desde então passava constrangimentos toda vez que pedia aos motoristas que abrissem a porta do meio para que ela não corresse o risco de ficar presa novamente. 

Naquele mesmo dia, conheci a história de uma adolescente que já havia tentado se matar quatro vezes. O motivo? O mesmo da outra entrevistada que evitava a catraca: o sobrepeso. As duas foram entrevistadas para uma reportagem que fiz sobre gordofobia, a aversão ao excesso de peso que faz com que as pessoas que não se encaixam nos padrões de magreza definidos pela sociedade sejam discriminadas e, muitas vezes, ridicularizadas.

E tenham que ouvir comentários como o da passageira do ônibus que levanta a bandeira do "corpo do verão". Todos os dias. Quando relatei à minha entrevistada o que havia acabado de ouvir, os olhos dela se encheram de lágrimas. E os meus também. Diferente dela, eu não ouço esse tipo de comentário a todos os momentos, todos os dias. Mas eu tenho empatia por sua dor.

Inclusive, é isso que eu acho que falta à maioria das pessoas: empatia. Duvido muito que a passageira arrogante tenha o corpo de uma musa fitness, mas, mesmo que ela tivesse, se ela se colocasse no lugar daquela mulher de 120 kg, talvez ela entendesse que a solução para a minha entrevistada não é perder peso, mas viver numa sociedade que a aceite como ela é e não a faça se sentir mal consigo mesma por não se encaixar nos padrões impostos (ou no espaço estreito da catraca).

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