colunista

Lorena Dias

É jornalista e blogueira. É repórter da TV Aratu e escreve para o Mais Região às quartas, a cada duas semanas.
Uma senhorinha desceu do ônibus e, quando foi subir na calçada, caiu.  As pessoas que estavam enfileiradas para subir no veículo, observavam a cena. A velhinha continuava tentando se levantar. E todo mundo continuava no mesmo lugar. Ninguém fez nada.

Tudo aconteceu em poucos segundos. E enquanto a idosa tentava se reerguer, eu julgava aquelas pessoas que só olhavam e nada faziam. Até que eu notei um detalhe muito importante: eu estava entre as pessoas que tentavam subir no ônibus! Imediatamente abandonei meu lugar na fila e fui ajudar a velhinha a se levantar. Ela segurou minha mão e olhou sem graça me agradecendo pela ajuda.

Voltei para o ônibus e o motorista também me agradeceu. Acho que ele estava aflito por não poder sair do seu lugar para ajudar a senhora. E talvez estivesse julgando todas as pessoas que estavam na fila do ônibus e podiam facilmente abandonar seus lugares para fazer alguma coisa. E me julgando. Já que por alguns segundos eu estive entre as pessoas que nada faziam. E ainda assim julgava os outros.

Quantas vezes nós criticamos os outros quando nós mesmos poderíamos tomar uma atitude? Faço isso com frequência em situações que envolvem ônibus e senhorinhas. Como quando aparece uma idosa e ninguém se levanta para dar o lugar. E eu fico revoltada porque ninguém oferece o lugar. Até que eu percebo que eu sou uma dessas pessoas e decido me levantar. 

É muito fácil ficar no lugar de quem julga. De quem acha que alguém deveria fazer alguma coisa. Colocar a culpa, o peso, a responsabilidade no outro, do quê toma-la para si. Do quê ir em busca do próprio papel nas mais diversas situações. Isso não significa que todo mundo deve tomar para si todas as dores e problemas do mundo. Mas, antes de reclamar dizendo que "ninguém faz nada", não custa nada lembrar que o "ninguém" também inclui você.


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