Amanda Nunes vence Raquel Pennington em sua terceira defesa de título. (Foto: Reprodução/Andre Durão)
O cordel "Mulher nordestina", de João Nascimento, ensina: "A mulher nordestina / enfrenta qualquer disputa / jamais foge da luta / não tem medo do perigo / igual Maria Bonita / de uma coragem infinita / não teme nenhum castigo". Baiana da cidade de Pojuca, Amanda Nunes provou na madrugada deste domingo que as palavras do poeta não poderiam ser mais verdadeiras. Lutando sem medo, com total domínio das ações no octógono montado no Rio de Janeiro, a campeã peso-galo do UFC impôs sua maior categoria e nocauteou Raquel Pennington aos 2m36s do quinto round, cumprindo a promessa de manter o cinturão no Brasil.

- Eu nunca lutei com uma amiga. Essa foi a primeira vez. Eu respeito demais essa mulher. Essa foi a coisa mais difícil que fiz na minha carreira. Tive que fazer isso para defender o cinturão, que era o meu maior sonho. Vamos tomar uma cerveja juntas como amigas hoje à noite. Obrigada a todos que vieram hoje aqui. Foi muito importante para mim ontem, no palco da pesagem. Foi surreal, eu nunca senti nada disso. Eu moro lá fora, mas eu defendo a bandeira do Brasil. Saí para buscar um sonho. Feliz dia das mães. Dona Ivete, amanhã eu viajo e vamos fazer a festa. É tudo nosso! - disse a campeã, não contendo as lágrimas.



A luta
A luta começou com a brasileira aplicando um chute fortíssimo nas pernas da americana, que caiu e se levantou rapidamente. Amanda Nunes pressionava Raquel Pennington na grade, e desferia chutes que magoavam as pernas da desafiante. Jogando nos contragolpes, a americana levava algum perigo à campeã, que mantinha a pressão e tomava a iniciativa da luta. Pennington não se movimentava muito, facilitando a conexão dos golpes de Amanda. A baiana manteve o domínio do round até o intervalo.

Amanda Nunes voltou para o segundo round com a mesma postura, agredindo Raquel Pennington e mantendo a distância ideal para não dar chance à desafiante de usar o seu "dirty boxing", uma de suas maisores qualidades. Usando os chutes e as combinações de jab e direto, entrando e saindo do raio de ação da americana, a campeã se mantinhaem vantagem na disputa. A 1m30s do intervalo, Amanda Nunes encaixou duas boas joelhadas na desafiante, que agarrou a sua perna e tentou derrubá-la. A campeã resistiu na primeira vez, mas caiu na segunda, com a rival por cima. Pennington se manteve por cima no chão por alguns segundos, mas a brasileira levantou-se logo em seguida, terminando o round de pé.

Na volta para o terceiro round, Amanda Nunes voltou mais uma vez chutando e encurralando Raquel Pennington na grade. A brasileira dominava as ações ofensivas, e se afastava com rapidez ao menor sinal de avanço da americana. As combinações de chutes e diretos incomodavam a americana, que avançou sobre a campeã, para ser jogada com força no chão, Por cima, Nunes se mantinha em posição de domínio, mas sem contundência, até o árbitro Marc Goddard ordenar que as duas se levantassem. Pennington tentou a derrubada, mas recebeu golpes seguidos no rosto. A "Leoa" dominava a luta, enquanto a desafiante demonstrava algum cansaço.

No quarto round, já com o rosto bastante castigado, Pennington tomava mais a iniciativa do combate, mas Amanda rapidamente devolvia os golpes e, mais uma vez, encurralava a desafiante na grade, mantendo-se à meia-distância e usando com eficiência a combinação de chute seguido de cruzado de direita. Após derrubar a americana na metade do round, a campeã voltou a lutar de pé, sempre fazendo o sinal de "não" com a cabeça a cada soco desferido por Pennington. No último minuto do round, a brasileira castigou a americana com joelhadas no rosto e socos seguidos, deixando o rosto da adversária bastante inchado.

No intervalo entre o penúltimo e último round, foi possível ouvir Raquel Pennington dizer no córner que estava "acabada, quero sair". Contudo, seu treinador disse que não. "Eu sei que dói, mas vamos superar isso. Dê tudo que você tem", disse o técnico.

No último round, após se cumprimentarem com um abraço no centro do octógono, as lutadoras voltaram ao combate, e a campeã mais uma vez assumiu o domínio das ações, enquanto a desafiante se defendia na grade e aguardava uma oportunidade para soltar golpes fortes para tentar o nocaute. Amanda Nunes mais uma vez derrubou Raquel Pennington, ficando por cima na guarda, buscando espaços para as cotoveladas de cima para baixo. Já muito cansada e desgastada, a desafiante tentava reagir, mas aparentava não ter mais forças. Na metade do round, após ver Raquel Pennington se virar de costas, a brasileira desferiu diversos golpes, forçando o árbitro a decretar o nocaute técnico e o fim da luta.


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