colunista

Lorena Dias

É jornalista e blogueira. É repórter da TV Aratu e escreve para o Mais Região às quartas, a cada duas semanas.
Publicada em 18/09/2018 08:41 - Atualizada em 19/09/2018 15:34

Voto de revolta

Lorena Dias
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Vocês já foram em uma sessão da Câmara de Vereadores? No início da minha vida de eleitora eu fui a algumas. E passava cerca de 4 horas tendo que ouvir “Zé da Rapadura” e “Júnior da Pulseira” mandando abraço para fulano do bairro tal, criticando a política nacional ou fazendo discurso contra a corrupção para depois ir pedir mais verba para a gasolina do próprio carro nos bastidores.

Vi muita gente despreparada, que não sabe nem se comunicar direito, quanto mais como fazer um projeto de lei. Me questionava como aquelas pessoas haviam sido eleitas. Até que presenciei, no período de campanha, uma mulher dizendo que não votaria em determinado candidato porque ele não havia lhe dado um abraço.

Neste dia, entendi que as pessoas utilizam as razões mais subjetivas para escolher seus candidatos. Mas, para mim, a pior de todas é o “voto de revolta”. Já vi isso acontecer no âmbito municipal, no interior, na capital, bem como no âmbito nacional, com deputados estaduais e federais.

Esse tipo de voto acontece porque as pessoas estão revoltadas com a política. Dizem que nenhum político presta, que a não aguentam mais a corrupção, a violência e o descaso com a saúde e educação. Aí resolvem votar nos candidatos que não tem papas na língua, seja por fazerem piada ou admitirem em seus discursos posicionamentos considerados politicamente incorretos (mas que muita gente concorda em seu intimo).

É assim que “Tiriricas” são eleitos. E é assim que a gente corre o risco de eleger como presidente do Brasil uma pessoa com um evidente desequilíbrio emocional, que não possui propostas sólidas e tudo que apresenta são ideias extremistas retrógradas.

Tenho amigos que, cansados da corrupção no país, vão votar num cara que recebeu do partido uma verba que anteriormente havia sido “doada” por uma empresa envolvida na Lava Jato e que aumentou o seu patrimônio sem nunca ter atuado em outra área que não fosse a vida política nos últimos 30 anos. E que nesse mesmo período, atuando no Rio de Janeiro, só teve dois projetos de lei aprovados. Nenhum deles referente à segurança do estado. Mas meus amigos vão votar nele, porque estão cansados da violência no país.

Isso porque eu nem discuto com meus amigos as questões ideológicas racistas, misóginas e homofóbicas do candidato deles. Me dói só de pensar que daqui a alguns meses poderemos estar entrando numa máquina do tempo que nos levará de volta ao período da ditadura, que ele prefere chamar apenas de “regime militar”, caso esse candidato assuma o poder.

Talvez você esteja se perguntando porque eu sou amiga dessas pessoas. E eu juro pra você que elas são pessoas boas. Elas só estão tão revoltadas que não conseguem enxergar direito, pensar direito, nem muito menos, votar direito. Já tentei conversar com elas. E quando elas não possuem mais nenhum argumento lógico, me dizem que se trata de um “voto de revolta”. Aí eu rezo por elas. E por mim. Porque, infelizmente, talvez os votos de revolta sejam maioria e, por enquanto, ainda vivemos numa democracia.

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