colunista

Bia Ribas

É jornalista, doutora em comunicação e cultura contemporâneas pela UFBA e assessora de comunicação do Projeto Tamar. Escreve uma vez por mês.
Publicada em 17/01/2019 15:21 - Atualizada em 18/01/2019 15:03

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Bia Ribas
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No fim de você, é a sua imagem que restará, e seus escritos, livros, discos, suas playlists, favoritos, histórico de buscas, o que você produziu, conversou e registrou do que fez; seus dados. Quando morrer, você será um instante na estante, na tela de fundo, num cartão de Natal, estará em caixas de recordações, numa 3x4 na carteira de alguém, em álbuns, celulares, diretórios nos HDs da vida e nas suas redes sociais. O futuro do seu corpo presente mora nos slideshows que ainda farão com suas fotos, áudios, vídeos. Lembretes da sua existência no Facebook, seus e-mails e curtidas, comentários e reações poderão ecoar na eternidade.

Se você nunca se preocupou com o futuro dos seus dados digitais após a sua morte física, saiba que mantê-los ou apagá-los dependerá do quanto você se empenhou para fugir de tudo isso ou para registrar a sua vida, entranhar-se nas bolhas de conteúdos cotidianos, nas timelines dos que “importam”, grudado a hashtags cortantes, gritantes, maçantes, gigantes e outras geniais...

Se quer o contrário, desaparecer também digitalmente depois que morrer, aprenda sobre a arte de deletar, proteger suas contas, procure saber sobre senha, criptografia, o funcionamento de aplicativos, segurança e as opções de privacidade. A falta de conhecimento sobre como funcionam os dispositivos conectados pode deixar sua vida mais vulnerável a ladrões, e o abandono de seus dados pode criar uma versão de você que não é a sua...

O Google tem um serviço de contas inativas que, após a sua morte, envia uma mensagem para seu administrador de memórias, entregando a chave para acessar seus conteúdos conforme o seu desejo. Você já pensou em quem herdará suas contas e conteúdos quando você morrer? Ou quem poderá apagar tudo quando você passar dessa para uma melhor?

O Facebook permite que tudo o que você postou em vida seja apagado com o envio do seu atestado de óbito por algum parente, ou que a sua página seja transformada em um memorial, onde as pessoas que te conheceram podem lamentar, escrever para você, fazer posts em sua homenagem. Outras redes sociais oferecem opções para apagar ou manter a conta de uma pessoa falecida, basta consultar as regras de cada uma.

Indo para a nuvem

Você também pode se cadastrar em algum dos serviços de vida após a morte, como o Eter9, Eterni-me, lifenaut.com, afternote.com. A deadsocial.org tem tutoriais para construir seu legado digital e dicas úteis de como administrá-lo em vida para que você possa descansar em paz com seus dados bem geridos. 

Através de inteligência artificial, algoritmos e robôs, os sistemas digitais automatizados e conectados vão aprendendo com seus dados, padrões de linguagem, e vão mantendo atualizado um banco online ou um avatar para simular você quando a morte chegar. Você pode também implantar um chip subcutâneo, que vai fazendo um backup da sua mente, do seu corpo e enviando para a nuvem. Ferramentas para fazer a morte cada vez mais invisível? Diminuir a dor dos que ficam? Criar um fantasma de dados?... Ou uma maneira de deixar organizado e acessível o seu legado digital, no fim das selfies.

#pensarmais
Episódio: Be Right Back, 2ª temporada de Black Mirror
Música: Admirável chip novo, Pitty
Documentário: BBC, Rest in pixels
Livro: The Routledge Handbook of Death and the Afterlife.

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