colunista

Maurício Bacelar

É engenheiro, ocupou cargos importantes nas prefeituras de Dias d'Ávila e Camaçari. Foi Diretor Geral do Detran-BA. Escreve às sextas, a cada duas semanas.
No fim do ano passado, a Associação Brasileira de Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Bicicletas e Similares – Abraciclo comemorou o incremento de 19% na produção de motocicletas no período de janeiro a novembro de 2018, em um total de 968,8 mil unidades. Uma boa notícia para a economia do país e mais emprego e renda para trabalhadores.

Já segundo o Ministério da Saúde, 37 mil pessoas morreram nas estradas e ruas do Brasil em 2016. Uma tragédia. Destas vítimas, 32%, a maior parte, eram motociclistas.
A moto é um veículo especial no trânsito, tem baixa estabilidade, sofre com as imperfeições de nossas vias e, muitas vezes, é pilotada por pessoas despreparadas.
Observe o paradoxo que é a motocicleta no Brasil. Na fábrica ajuda a mover a economia, no trânsito mata e sequela.

Precisamos encontrar o ponto de equilíbrio onde possamos saudar o aumento da produção e a presença das motos nas vias.

O ponto de equilíbrio está na educação. É preciso repensar os cursos de formação de condutores, que hoje apenas “treinam” o candidato para as provas do Detran; investir maciçamente na educação para o trânsito, incluindo o tema, de maneira transversal, nas aulas do ensino fundamental e médio, criando uma legião de futuros passageiros, pedestres, ciclistas e condutores conscientes de que devem manter uma postura de segurança, respeitar a legislação e de que a questão da segurança viária é uma decisão individual; punir gestores, dos órgãos de trânsito, que não alcancem metas pré-estabelecidas, criando a Lei de Responsabilidade do Trânsito e, por fim, não direcionar para outras despesas os recursos destinados à educação oriundos das multas e parcela do seguro Dpvat.

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