colunista

Fred & Marcio

Frederico Tognin é biólogo e coordenador técnico do Tamar. Já Marcio Vianna é administrador e cozinheiro. Eles escrevem uma vez por mês.
Em muitos lugares da nossa região não tem saneamento básico, acredite!! E você? Descarta seus dejetos da casa onde?  Como? Numa fossa comum? 

Neste mês, em nossa Coluna Meio Ambiente, Arte e Gastronomia vamos dar uma dica de como fizemos em casa e que super faz bem ao meio ambiente! Se chama fossa de bananeira!! É super fácil e vamos ensinar tudo que estudamos para a confecção da nossa fossa em casa!!

Antes, importantíssimo saber que os esgotos domésticos descartados in natura ou numa fossa comum podem contaminar o solo e o lençol freático e pior, ainda são responsáveis pela transmissão de diversas doenças, entre elas elefantíase, esquistossomose, cólera, tifoide, hepatite infecciosa, poliomielite e vermes intestinais, que direta ou indiretamente, são responsáveis por milhares de mortes anuais. Forte, não é?! Mas isso pode não acontecer na sua casa e depende exclusivamente de você !!

A fossa de bananeira se chama tecnicamente BET (Bacia de Evapotranspiração) ou TEvap (Tanque de Evapotranspiração). É uma técnica difundida por permacultores de diversas nacionalidades e que representa uma alternativa sustentável para o tratamento domiciliar de águas negras em zonas urbanas e periurbanas. Águas negras são as águas que saem dos vasos sanitários e águas cinzas todo o restante da água da casa (torneira, chuveiro, máquina de lavar, tanquinho, pia etc)! Importante esta separação já na construção da casa, cada água tem que ter um caminho diferente!!! As águas cinzas podem ser destinadas a filtros biológicos! 

Bora lá, a fossa consiste basicamente em um tanque impermeabilizado, preenchido com diferentes camadas de substrato e plantado com espécies vegetais de crescimento rápido e alta demanda por água, de preferência com folhas largas (bananeiras). O sistema recebe o efluente dos vasos sanitários, que passa por processos naturais de degradação microbiana da matéria orgânica, mineralização de nutrientes, e a consequente absorção e evapotranspiração da água pelas plantas. Portanto, trata-se de um sistema fechado que transforma os resíduos humanos em nutrientes e que trata, de forma limpa e ecológica, a água envolvida. 

Diferente de outros sistemas, a água presente neste processo retorna ao ambiente na forma de vapor através da transpiração das folhas, daí seu nome. Assim, o sistema de evapotranspiração evita a poluição do solo, dos lençóis freáticos, dos rios e mares. Esta utilização de sistemas plantados para tratamento de esgotos já? e? comum em diversas partes do mundo, inclusive!! E tem em nossa casa e em muitas casas daqui de Imbassai! Uhuuhhu

Agora, como fazer esta fossa? 

Primeiro construa uma vala ou caixa medindo 1 metros de profundidade, por 1,5 metro de largura e 2 metro de comprimento (de vão livre) e impermeabilize com alvenaria. Dentro desta vala é construída uma pirâmide com tijolos furados, de forma que um espaço seja criado para depositar o efluente.
 
É importante construir a pirâmide de tijolos de forma que os furos estejam desobstruídos, apontando para as laterais. Assim o efluente pode alcançar as raízes das plantas. O sistema não entope porque existe um espaço de ar permanente dentro da pirâmide, o que impede o crescimento das raízes das plantas para dentro do espaço de tratamento anaeróbico. Este material pode ser cacos de cerâmica ou pedra porosa. Entulho de construção também serve. É muito importante que seja um material poroso, para abrigar a comunidade de matéria orgânica. O efluente entra na pirâmide de tijolos e imediatamente inicia um processo de digestão anaeróbica. Ao alcançar os furos dos tijolos, ele entra em contato com o material poroso e as raízes das plantas, sendo digerido aerobiamente.

Quando existe a possibilidade de uma carga em excesso, construímos dois sistemas em paralelo, assim é possível interromper um para manutenção enquanto o outro continua operando. Em locais onde a chuva é muito intensa isto também pode ser necessário. Em uma casa familiar pequena um canteiro bio séptico é suficiente.
Acima do material poroso, completamos com uma camada de 20cm de composto ou terra vegetal. É nesta camada que plantamos as plantas que vão fazer a evaporação da água. Alguns materiais podem ser colocados antes desta camada para servirem de “âncora” para as raízes. Estes podem ser orgânicos, como palha, serragem ou madeira picada, ou até mesmo plástico picado.
 

O plantio de espécies que gostam de muita água é feito imediatamente. Estas plantas podem ser bananeiras, taiobas, bambus, entre outras. Não plante nenhum alimento de raiz, como mandioca ou batata doce, pois os tubérculos estariam em contato com o efluente e não são comestíveis. Os frutos (bananas, por exemplo) podem ser comidos, pois não existe perigo de contaminação.
 
Tá e depois de construído, o que acontece com as águas negras ao chegarem na fossa? O que acontece lá dentro que deixa a bananeira pronta para o consumo e livre de contaminantes? São 5 passos, vejam:

- Fermentação: A água negra é decomposta pelo processo de fermentação (digestão anaeróbica) realizado pelas bactérias na câmara bio-séptica de tijolos porosos (podem usar pneus velhos tb!);

-   Segurança: Os agentes patogênicos são enclausurados no sistema pois não há como garantir sua eliminação completa e isso só é possível graças ao fato da bacia ser fechada, sem saídas para a água. A bacia precisa de espaços livres para o volume total de água e resíduos humanos recebidos durante um dia. A bacia deve ser construída de forma a evitar infiltrações e vazamentos.

-   Percolação: Como a água está presa na bacia ela percola de baixo para cima e com isso, depois de separada dos resíduos humanos, vai passando pelas camadas de brita, areia e solo, chegando até as raízes das plantas, 99% limpas.

- Evapotranspiração: Sem sombras de dúvidas esse é um dos processos mais interessantes do sistema BET. Através da evapotranspiração realizada pelas plantas, principalmente as de folhas largas (bananeiras, mamoeiros, caetés, taioba, etc. ) , a água limpa é devolvida ao meio ambiente. Além disso, as plantas também consomem os nutrientes produzidos em seu processo de crescimento, permitindo que a bacia nunca encha.

- Manejo: Primeiro (obrigatório), a cobertura vegetal morta deve ser sempre completada com as próprias folhas que caem das plantas e os caules das bananeiras depois de colhidos os frutos. E, quando necessário, essa camada deve ser complementada com as aparas de podas de gramas e de outras plantas do jardim, impedindo assim que as águas das chuvas penetrem demais o sistema. Segundo (opcional), de tempos em tempos deve-se observar os dutos de inspeção e coletar amostras de água para exames. Outro ponto importante é que se deve observar a caixa de extravase, para checar se dimensionamento foi correto. Essa caixa só deve existir se for exigida por órgão públicos para que se possa fazer a ligação do sistema com o canal pluvial ou de esgoto.

E com esta banana saborosa fazemos o que? O Marcio dará a dica de como utilizá-las da melhor maneira! Hummm! Essa receita tradicional de sua família é uma delicia!!! Façam!! Fica incrível!!!

Ingredientes:

3 bananas da prata madura,
3 ovos,
2 xícaras de chá de açúcar;
1 xícara de chá de óleo,
1 xícara de farinha de rosca + 2 colheres,
1 colher de sopa de fermento.

Modo de fazer: 

Misture numa tigela a farinha e o fermento. Reserve!

No liquidificador coloque os ovos, o óleo, o açúcar, as bananas cortadas em pedaços e bata por 2 minutos!! Coloque a esta mistura numa tigela e aos poucos acrescente a farinha de rosca e o fermento reservados, misture bem e despeje numa forma untada. 
Leve para o forno pré aquecido (10 minutos) em 200 graus e deixe assar por 35 minutos! 

#DicadosMerendeiros: antes de ir ao forno, polvilhe açúcar e canela.  Fica ainda mais gostoso!!!!

Nos vemos no próximo mês ou por Imbassai!!!!


Segue as imagens da Fossa de Bananeira:


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