Pelo menos um militar aparece em nova denúncia que será apresentada à Justiça nesta sexta-feira; dois delegados estão sendo investigados (Foto: Reprodução )
O Ministério Público do Estado de Goiás vai apresentar nesta sexta-feira  uma nova denúncia (a oitava) contra o médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus . Dessa vez, pesam contra o médium novos relatos de abuso sexual, além da prática de falsidade ideológica e envolvimento com uma rede de policiais militares e civis em situações ilícitas. Dois delegados estão sendo investigados pela corregedoria da Polícia Civil de Goiás.
Um policial militar será denunciado por falsidade ideológica e por fazer parte da rede de proteção ao médium. O MP agora quer saber se policiais estavam ajudando o médium com as vítimas de abuso sexual para que elas não denunciassem os crimes cometidos por ele. A força-tarefa criada para desvendar o caso João de Deus também tenta descobrir o papel desempenhado por policiais militares nas atividades financeiras do religioso na cidade de Abadiânia (GO).

Há relatos de que o médium cobrava mensalidade dos donos de pousadas para que eles pudessem atuar em Abadiânia, onde está localizado o centro espiritual administrado por ele. Cada pousada que recebe turistas estrangeiros, segundo relatos que chegaram ao MP, pagava até R$ 5 mil por mês ao médium. Os comerciantes chamavam esse valor de "caixinha".

Os investigadores ficaram impressionados com o tamanho do capital financeiro do médium, que chegou a sacar, de uma só vez, R$ 35 milhões assim que começaram a surgir as primeiras denúncias contra ele na imprensa.

- Assim que ele soube do pedido de prisão, ele sacou R$ 35 milhões. Mas o banco não autorizou - disse, na condição de anonimato, um investigador.

Segundo o MP, o médium chegou a baixar as aplicações financeiras, mas um alerta do Coaf emitido para o banco impediu que o dinheiro fosse efetivamente retirado em espécie. O MP reconhece esse movimento de baixar aplicações financeiras como um “saque”, apesar de não ter sido concretizado.

O MP já conseguiu, na Justiça, o bloqueio de R$ 50 milhões em bens de João de Deus. O dinheiro vai ser usado no futuro para pagar possíveis indenizações por danos morais às vítimas.

Transferência para hospital
Nesta quinta-feira, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nefi Cordeiro, determinou que João de Deus fosse internado, por um período inicial de quatro semanas, no Instituto de Neurologia de Goiânia ou outra unidade próxima que atenda à complexidade do paciente.

A decisão atendeu a um pedido da defesa do médium, que está preso há mais de três meses e é réu em processos de abuso sexual. O médium sempre negou os crimes. A defesa alega que o médium tem "um aneurisma da aorta abdominal com dissecção e alto risco de ruptura, sendo necessário o controle adequado da pressão arterial".

O habeas corpus também informa que "a unidade prisional em que ele se encontra não dispõe de médicos suficientes para acompanharem todos os presos e que a medicação administrada ao paciente é inapropriada".

O Ministério Público, por sua vez, sustenta que o médium recebe atendimento adequado na unidade prisional e que a transferência de João de Deus para um hospital particular significa estabelecer “tratamento diferenciado em relação aos demais detentos”.

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