colunista

Leonardo Rodrigues

Carioca da gema e baiano de coração, é estudante de Educação Física, reside em Praia do Forte. Escreve uma vez por mês.
A sociedade hoje vive um momento de evoluções tecnológicas em todas as áreas da vida, que trazem muito mais comodidade para o dia-a-dia, o que é ótimo. Porém, essas mesmas tecnologias transformaram a sociedade e nos levaram ao momento histórico com mais doenças relacionadas ao sedentarismo e à obesidade. 

De acordo com o Ministério da Saúde, de 2006 até 2016 o número de adultos obesos aumentou em 60% no país. A obesidade está intimamente ligada ao diabetes e à hipertensão, que em 2016 representaram, respectivamente, 8,9% e 25,7% dos diagnósticos médicos no Brasil. Por isso, nada mais justo do que iniciar esta coluna abordando a importância do exercício físico para a saúde.

Os benefícios de uma vida ativa vão muito além da estética. É muito interessante entendermos como o nosso corpo é inteligente e como todas as adaptações fisiológicas do exercício físico estão interligadas e se complementam.


Para percebermos essas conexões, vamos começar com algumas frases que mais escutamos no dia-a-dia:

“O exercício físico é bom para emagrecer”.

Isso acontece primeiramente porque ao nos exercitarmos modificamos a balança de consumo x gasto calórico. É matemática simples, quando gastamos mais do que consumimos, a tendência é emagrecermos. Além do aumento do consumo energético do corpo, a médio e longo prazo, o exercício proporciona o aumento de massa magra, e quanto maior for a nossa massa magra, maior será a nossa taxa metabólica basal, que é a quantidade de calorias que gastamos para fazer as coisas indispensáveis à vida, como respirar, fazer a digestão, ou bombear sangue. Ou seja, estaremos pesando ainda mais a balança em direção à saúde. 

“O exercício físico ajuda a combater e prevenir doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes e hipertensão”.

Além da diminuição do percentual de gordura, que já abordamos, o nosso corpo passa por algumas outras adaptações fisiológicas que favorecem a diminuição da pressão arterial. Vamos começar pelo coração, com uma vida ativa, o nosso coração passa a ficar mais forte, então ele se torna capaz de bombear um volume maior de sangue a cada sístole (contração dos ventrículos, responsável por ejetar o sangue para as artérias aorta e pulmonar). Além disso, as hemácias do sangue se tornam mais permeáveis ao oxigênio (O2) que elas vão buscar nos alvéolos pulmonares, ou seja, com o treinamento, mandamos mais sangue para o corpo, e esse sangue leva mais O2 e nutrientes.

Como se já não bastasse, os músculos se tornam melhores em captar esse oxigênio também. Somado a isso tudo, acontece um processo chamado angiogênese, que é a criação de novos capilares (nome que se dá às veias e artérias bem pequenininhas), fazendo o sangue irrigar uma área maior dos músculos. 

Vamos pensar juntos, se agora o seu coração consegue mandar mais sangue a cada bombeada, esse sangue é capaz de levar mais oxigênio e nutrientes e irrigar mais áreas dos músculos, e os seus músculos estão melhores em captar esse oxigênio e nutrientes, seu corpo então precisa de menos bombeadas e o seu coração não precisa fazer tanto esforço quanto antes. Por isso diminuem tanto a pressão arterial, quanto a frequência cardíaca. Fazendo desta forma, o controle da hipertensão.

Mas não pense que os músculos têm apenas essas adaptações. Eles, além de crescerem, ficarem mais fortes e resistentes, aumentarem nosso metabolismo basal e absorverem melhor o oxigênio do sangue, também aprendem a captar melhor a energia disponível e guardá-la para depois. Com isso, os músculos conseguem utilizar melhor a glicose e os lipídeos disponíveis e armazenar de forma intramuscular o excedente de glicose em forma de glicogênio. Diminuindo assim a gordura livre na corrente sanguínea e diminuindo ainda mais a pressão arterial e os riscos de entupimento ou rompimento de um vaso.

“O exercício físico diminui o estresse”

Se todos os benefícios citados acima ainda não te convenceram de que o exercício é algo fundamental para sermos saudáveis e termos qualidade de vida, aqui vêm alguns “extras”. 

Ao fazer exercícios liberamos hormônios relacionados ao prazer, como a oxitocina, a serotonina e a dopamina, que nos dão a sensação de bem-estar, diminuem o estresse e melhoram a autoestima, somados ao fator da sociabilização, muito relevante em ambientes de esportes e aulas coletivas. Além disso, há um processo chamado sinaptogênese, semelhante à angiogênese onde, ao invés da criação de novos capilares, ele cria novas sinapses (conexões neurais), que estão relacionadas ao aumento da criatividade, da memória e da tomada de decisões. 

Também podemos destacar o aumento da concentração de cálcio nos ossos, que previne as osteopatias (doenças relacionadas ao esqueleto).

Todas essas adaptações não estão em nenhum frasco de remédio, elas fazem parte do pacote que é o exercício físico. A Organização Mundial da Saúde aponta que para uma pessoa deixar de ser considerada sedentária e conquistar os benefícios para a saúde, ela precisa fazer pelo menos 150 minutos de atividade física moderada ou 75 minutos de atividade física vigorosa, por semana. 

Não se sinta mal se você não é ativo, cada um tem as suas particularidades e suas necessidades. Procure um profissional de educação física para lhe orientar, procure junto com ele algo que você goste de fazer e comece seu caminho rumo à saúde e à qualidade de vida.

 Até mês que vem! 

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