Carioca participa de bate-papo no Nordeste de Amaralina no sábado e se prepara para projeto na TV (Foto: Reprodução )

Desde que deixou a casa do BBB19, há um mês, Rodrigo França teve de lidar com a avalanche de informações que não teve acesso durante o trimestres que esteve confinado. "Nunca fiquei tanto tempo alienado", admite o ator, educador e dramaturgo, cujo hábito de consumir notícias vem de berço; o pai lia três jornais por dia. "Quando saí veio um volume tão grande de informação que achei melhor não saber. Procurei dsaber da minha família, fui tio nesse período. Soube também que ganhei um dos maiores prêmios do teatro brasileiro, o Shell, por meio do coletivo 2ª Black [grupo de encontro, pesquisa, troca de saberes e apresentações de experiências cênicas de artistas negros]", relembra o carioca, que está em Salvador para participar de uma bate-papo no Nordeste de Amaralina neste sábado (11) [leia mais abaixo].

Após a eliminação, Rodrigo também teve de lidar com a repercussão de acontecimentos ocorridos dentro da própria casa do BBB 19. O mais polêmico deles envolvendo as declarações de Paula, que disse ter medo de Rodrigo por conta do candomblé, religião da qual é adepto. "Tenho medo do Rodrigo. Ele mexe com esses trecos... ele sabe cada Oxum [divindade de matriz africana] deles lá. Nosso Deus é maior".  

A fala foi denunciada como racismo e intolerância religiosa e passou a ser investigada em segredo de justiça pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), do Rio de Janeiro, quando os dois ainda estavam no confinamento. A pena prevista pelo crime é prisão de um a três anos e multa.

Logo após sair, Rodrigo prestou depoimento tanto contra a injúria da sister, quanto contra as postagens de internautas. Na época ele afimou que a decisão não era só por ele, mas por "por tudo um povo, uma população que cultua algo e é desrespeitada. Não posso me calar de forma alguma".

Um mês depois da saída da casa, ele ainda não conversou diretamente com Paula sobre o assunto. Ontem, a vencedora do BBB 19 disse em entrevista a uma rádio que acreditava que o ator não queria o encontro. "Até agora, não falei com Rodrigo, mas acho que não tem interesse da parte dele", comentou.

Para Rodrigo, é ela quem parece não estar disposta a conversar. "Eu não fiz nada contra ela, e não é questão de orgulho não. Não tem porque eu ligar. Se ela está realmente disposta a conversar, a produção sabe meu telefone e ela que entre em contato. Eu como professor, como cidadão, como a pessoa que sou, ouviria. Isso não significa que o processo legal vai ser interrompido, até mesmo porque não depende de mim, depende de muitas instâncias. Eu acho estranho ela dizer isso. Por que não tentou? Eu não vou ligar para tomar café, nem para tomar um 'choppinho'. 'Choppinho' eu tomo com quem me respeita, com quem eu amo", disse o carioca em entrevista à Bahia FM na tarde desta quinta-feira (9).

Rodrigo França durante participação no programa Fuzuê, da Bahia FM, na tarde desta quinta (9)(Foto: Marina Silva/CORREIO)

"A violência é tão gritante que parece que é maioria, mas a maioria é só amor. Eu recebi ameaça de morte. Escreveram pra minha mãe "vou te matar, macaca fedorenta, matar você e seus netos". Uma fala como essa vai soar muito mais alto que 30 mil pessoas falando eu te amo. Tem ódio, mas tem muita gente que distribi amor, que faz coisa boa, a gente tem que se concentrar nisso" - Rodrigo França

Rejeição e legado

A eliminação com quase 70% dos votos não é encarada por ele como sinônimo de rejeição."Eu entendi que não foi rejeição, que tinha dois times contra o meu. O calor que eu tenho recebido é prova de que não tem rejeição nas ruas, tem abraço. A maioria das pessoas me dizem que não querem tirar foto, só abraçar. Leio muito as pessoas dizerem que queriam  ter um amigo como eu. 70% não é de uma rejeição, faz parte do jogo, e está tudo bem. Quando entrei já sabia dessa possibilidade. O que fica é o legado", garante.

E qual o maior legado? "Eu vi que eu tenho maturidade emocional e que realmente eu sou apaixonado pelo ser humano, com a sua diversidade, com suas questões. O que eu sempre falei foi isso, as minhas profissões estão relacionadas a essa paixão, que me fez ter paciência e me permitiu ficar confinado por tanto tempo com pessoas tão diferentes", elenca.

A amizade com o pessoal da "gaiola" também é ressaltada por ele como uma das maiores conquistas permitidas pelo BBB19. "É

louco que um dos critérios é que os participantes sejam pessoas que não tiveram relações no passado, e são pessoas que eu encontraria em algum momento na vida. A gente tem uma relação tão próxima de pauta, de questões. Danrley, Gab, Rízia, Hana, Alan...O programa foi um grande facilitador desse encontro, e acho que esse foi o mais forte, entender que você não está sozinho no mundo. Naquele primeiro momento de círculo, de apresentações, eu via que não estava sozinho. Isso foi importante! Por ser de classe média e estudar em escola particular, eu sempre fui o único negro da minha escola. Eu tinha medo de ser o único negro dentro daquele rolê, como a gente fala. E aí eu vi que tinha parceiros, que não estava só", relembra.

Bate-papo em Salvador

O ex-BBB está em Salvador para participar neste sábado (10) de um bate-papo com jovens do Nordeste de Amaralina. . O encontro acontece às 9h no Centro Social Urbano (CSU) Nordeste, no Beco da Cultura. Entre os assuntos discutidos no evento estão temas ligados ao racismo e intolerância religiosa. O evento, que  é uma realização do NORDESTeuSOU em parceria com o CSU, faz parte da agenda de ações que antecedem a 7ª Caminhada do Povo de Santo do Nordeste de Amaralina.

No segundo semestre, ele traz para a capital baiana o espetáculo O Pequeno Príncipe Preto, cujo texto e direção são assinados por ele. Ainda este ano, ele também estreia um projeto na TV, sobre o qual ainda não pode dar detalhes. "Faço questão de viajar com os espetáculos. O teatro tem que ser acessível, tem que falar muita coisa. E tem uma coisa linda vindo aí, bombástica, na TV.  É um veículo que eu gosto muito. Não posso detalhar o convite, mas vai além de atuação. Está na hora de a gente abrir as narrativas, escrever, dirigir", afirma.

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