colunista

Leonardo Rodrigues

Carioca da gema e baiano de coração, é estudante de Educação Física, reside em Praia do Forte. Escreve uma vez por mês.

Continuando a série iniciada no mês passado, vamos abordar os efeitos da prática desportiva na adolescência. Para começar, é importante entendermos o motivo de separarmos a infância da adolescência.

É na adolescência que os hormônios sexuais (a testosterona, a progesterona e o estrogênio) começam a fazer efeito. São eles os responsáveis pelas modificações no corpo dos jovens, o estirão de crescimento, o surgimento dos pelos pubianos, a mudança na voz, o aparecimento das espinhas, a primeira menstruação, o desenvolvimento dos seios, o aumento da força muscular, dentre outros fatores.

Não existe uma idade exata para adentrar na adolescência, o que há é uma faixa ideal, distinta entre meninos e meninas. Nas meninas, ela ocorre entre 10 e 14 anos de idade e é chamada de menarca. Já nos meninos, essa maturação ocorre um pouco depois, entre 13 e 15 anos e é chamada de espermarca.

Por conta das variações fisiológicas deste processo, os jovens precisam de uma readaptação no processo de propriocepção, isto é, de ter o domínio do seu próprio corpo no espaço.

É comum vermos jovens com a coordenação motora muito ruim atualmente, e a tendência é isso aumentar, pois as crianças e adolescentes passam cada vez mais tempo em frente às telas e cada vez menos tempo brincando ao ar livre e fazendo exercícios físicos.

Outro fator preocupante para essa faixa etária é o sedentarismo, de acordo com o Ministério do Esporte, em 2015, 32,7% dos jovens brasileiros de 15 a 19 anos eram sedentários. Esses números são bastante expressivos e vêm aumentando ano após ano, por conta dos padrões de vida atuais e também pelo aumento das responsabilidades inerentes a essa faixa etária. Na adolescência se inicia o primeiro emprego, é o momento de focar nos estudos para passar no vestibular, entre outros fatores, que sempre colocam o exercício físico como segundo plano.

O que é uma pena e também um erro. Não são poucos os estudos que apontam o quão positiva é a prática de exercícios físicos regulares para o desempenho acadêmico. Os estudantes que praticam alguma modalidade esportiva tendem a ter desempenhos mais satisfatórios na escola.

 Podemos relacionar estes resultados a uma maior oxigenação do cérebro, ao aumento da capacidade de concentração, ao maior controle do nervosismo em momentos de estresse, à melhora do raciocínio rápido e às respostas aos estímulos que são proporcionados pelo esporte.

Portanto, não há dúvida, para esta parcela dos jovens que são majoritariamente inativos, o esporte ou a atividade física regular definitivamente se traduzem em saúde! E também em melhores notas!

Muito bem, entendemos agora a importância do exercício para os jovens sedentários, mas, e aqueles indivíduos que já são ativos desde a infância? Quais são as recomendações?

Vamos lá! Lembram que eu disse que na infância a criança deve receber o maior número possível de estímulos e temos que tentar evitar ao máximo a especialização precoce? (Se não faz ideia do que estou falando, lhe aconselho a ler o texto de agosto e depois voltar aqui para seguirmos o raciocínio) Então, nessa faixa etária, a coisa muda um pouco de figura.

Muito bem, a variedade de estímulos ainda é muitíssimo bem-vinda, principalmente pelo fato das mudanças fisiológicas nesse processo de amadurecimento do indivíduo. Mas, caso esse jovem queira atuar de maneira mais séria no esporte, esse já é o momento para pensar melhor na sua especialização (Para algumas modalidades individuais, como a ginástica, essa decisão precisa ser tomada mais cedo).

Mas Leo, você diz que os estímulos devem ser variados, mas o adolescente deve se especializar, como assim? Calma, eu explico. Digamos que Leozinho, uma pessoa fictícia criada aqui apenas para exemplificar, pratique futebol, basquetebol e voleibol. Para ter um melhor rendimento em alguma modalidade, eventualmente, Leozinho deverá dedicar boa parte de seu tempo para treiná-la, por isso, especializar-se em uma modalidade apenas é uma boa ideia.

Digamos que Leozinho tenha escolhido o Basquetebol. Ele se especializou nesta modalidade, certo? Porém, dentro do basquetebol existem diferentes técnicas e posicionamentos, Leozinho, para se desenvolver e atingir um nível alto de rendimento, deverá treinar essas técnicas e posicionamentos de forma variada, caso contrário, ele será deficiente em algumas áreas da própria modalidade.

Portanto, Leozinho se especializou de forma macro, definindo apenas uma modalidade, mas manteve o seu treino bem variado em estímulos, praticando saltos, corridas, fundamentos técnicos, agachamentos e quaisquer outros movimentos necessários para o desenvolvimento do basquetebol.

 Finalizando, para estes adolescentes a regra continua a mesma, Esporte é Saúde, sim! Enquanto se preserve a variedade de estímulos e se evite a especialização precoce, mas agora vista de um outro ponto de vista.

Espero que tenha gostado de ler este texto tanto quanto eu gostei de escrevê-lo. É um prazer enorme trazer conteúdo de forma descontraída e leve para vocês. Obrigado! E até o mês que vem com a parte final da Série “Esporte é Saúde?”.

   

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